Deu Papão 1 x 0: Euforia em meia Belém após vitória heroica.
Campeonato à parte. Assim deve-se definir um Dérbi quando rivais locais se enfrentam nas pelejas nacionais.
Excetuada a reprodução da foto que captou a comemoração do autor do gol que deu a vitória ao Paysandu no clássico contra o Remo pela 13ª rodada da 1ª fase da Série B do Campeonato Brasileiro de 2025, já passavam das 8:30 da manhã deste domingo, 22 de junho, cerca de 12 horas após o apito final do jogo, quando as imagens que ilustram este texto foram feitas numa comemoração de rua que retratava a alegria de meia Belém.
Um sentimento de gáudio, euforia, torpor, alívio, renovação de votos, da alma e gozação, muita gozação com a cara dos rivais.
Inimigos do fim
Aqueles amigos e familiares que teimavam em enfrentar o sol quente do início do verão amazônico estavam em êxtase após um início de ano muito aquém das expectativas mais pessimistas para a temporada 2025 e, particularmente, uma semana tensa com a torcida desconfiada e mordida de um lado e a diretoria - seu alvo - vivendo seu inferno astral, uma crise atrás da outra capazes de elevar a temperatura ao limite do suportável dentro do ambiente alviceleste.
19 anos depois
O jogo era especial, pois não ocorria desde 2006 numa Série B nacional.
Segundo as estatísticas, foi o clássico de número 779, o que faz dele o mais jogado no mundo do futebol.
Com a torcida de ambas as equipes fazendo a sua parte, o Mangueirão fez jus a uma das datas esportivas mais esperadas do ano.
Favorito…
Além do mando, o Remo entrou em campo querendo se manter na disputa pela ponta da tabela e sonhando com o inédito acesso à Série A, em 2026.
Por sua vez e inversamente proporcional, o maior rival foi para a partida sabendo o rombo que esta derrota específica seria capaz de causar.
… Mas nem tanto
Com a bola rolando num jogo desse tamanho, a casa cheia e as ambições opostas, de um lado o então favorito Leão de Antonio Baena e, do outro, o seu irmão Karamazov, também conhecido como Papão da Curuzú, não precisa ser João Saldanha ou Telê Santana para saber que, no antigo e violento esporte bretão, uma coisa é uma coisa e outra coisa é outra.
Sacou?
Sim, num jogo desses, após o apito inicial e quando a bola rola, a tabela fica de lado e tem início uma competição paralela, pessoal, carnal, figadal, quando vencer o rival pode mudar tudo e, principalmente, significar o início de uma virada daquelas que entram para a história das recuperações épicas e superações estóicas.
Merecida
Dado como virtual rebaixado pelos mais céticos e secadores, o Paysandu foi melhor e mais perigoso nos dois tempos de um jogo morno em emoções e com a qualidade técnica mediana dos jogadores de ambas as equipes.
Sim, porque achar que o Remo tem um elenco top das galáxias é quase acreditar em papai Noel.
No papel o escrete azulino não engraxa nem a chuteira esquerda do destro Robgol na fase áurea e épica bicolor e daquele time que impunha respeito no início desde século em que foi Campeão dos Campeões, bi nacional desta mesma série B e ganhou pela Libertadores do multicampeão Boca Juniors em La Bombonera, feito que o igualou ao Santos de Pelé. Só isso.
O Paysandu mereceu a vitória num jogo que não fora “de seis pontos”, quando se soma os seus e se freia os do rival, mas que poderá “ser de doze”.
Ferroviária
No 2º turno caberá o mando de campo ao Paysandu. E se nos próximos sete dias a Fiel Bicolor só vai pensar e focar na Ferroviária de Araraquara, além secar todos os rivais na tabela, a hora é de renovar a fé na sobrevivência e, feito isso, ganhar novamente no jogo do returno. Afinal, bater de novo no arquirrival será um capote, 100% de aproveitamento e outra centena de gozações.
Diogo Oliveira
O 9 bicolor saiu do banco para empurrar de cabeça para o fundo da rede da meta azulina e fazer explodir os cerca de 22 mil torcedores que ajudavam a lotar o estádio, apesar da posição do time na tabela, a lanterna.
Foi sofrido, numa jogada de bola parada, desses escanteios treinados desde a base quando a pelota é colocada na primeira trave e escorada para trás por um companheiro na direção da segunda, apostando no oportunismo do matador que está posicionado nas imediações e torcendo pela falha na marcação. Bingo.
Romelu Lukaku
Foi assim, como nos manuais, que nasceu a vitória bicolor. E de um quase desconhecido, o imponente 9 se transformou num Lukaku local.
Foi sofrido, com placar magro. Tivesse o estádio vazio, poderíamos chamar a peleja de insossa, sonolenta.
O Paysandu “deu a bola” pro Remo, teve menos de 40% de posse, um goleiro serenamente seguro e uma vitória que pode representar a virada.
A equipe deixou a lanterna por ora e encheu a sofrida torcida de esperança, sentimento retratado na farra que permanece até sabe Deus quando, dependendo do humor do dono do bar e da resistência dos maratonistas apaixonados pelo Papão da Curuzú.
E que venha a Ferroviária e o 2º turno mais adiante.
